As cores de Lisboa e o slow-living

IMG_1851Quando em Fevereiro fui passear para Amsterdão não resisti em trazer comigo algumas revistas, como habitualmente faço sempre que viajo, uma delas foi a Flow. E acho que pela primeira vez encontrei numa revista um artigo que me prendeu a atenção do início ao fim. A cada parágrafo que lia só pensava para mim “É isto… é mesmo isto!”. O artigo era sobre o Slow Working, uma tendência que tem vindo a surgir já desde 2012, mas sobre a qual se fala pouco.

Essencialmente é um movimento que promove o trabalhar menos, mas melhor, o ter tempo para outras coisas da nossa vida, o dar importância ao que o nosso corpo nos diz e arranjar tempo para o ouvir. Tudo em prol de uma vida melhor, mais saudável e feliz.

IMG_9769IMG_0032 IMG_9908Num mundo que vive em passo mesmo muito acelerado, em que se gosta de dizer o quão ocupados estamos e que nunca temos tempo para nada, falar em qualquer slow é quase soar a “sou uma preguiçosa e não tenho grandes objectivos!”. Quem me acompanha há algum tempo sabe que o meu percurso mudou bastante nos últimos 13 anos. Com uma licenciatura em Psicologia Organizacional, trabalhei como psicóloga em escolas durante 3 anos, como consultora durante 4 e depois dei início a esta mudança de vida para freelancer como fotógrafa e designer.

Sei o que é trabalhar sob uma pressão tremenda, o exigirem de nós o que nem nós sabemos se vamos conseguir dar, o não ter vida própria e a vida social resumir-se aos cafés, almoços e jantares com os colegas de trabalho… enquanto se trabalha. E depois percebi que não era por ali que queria seguir. Percebi que queria mudar, fazer coisas diferentes para as quais nunca tinha estudado, trabalhar por mim e para mim, trabalhar com pessoas, e ser eu a decidir o horário de trabalho.

IMG_0035 IMG_0063IMG_0089Mas como em muitas outras coisas da vida, fazer-se o que nos apaixona por vezes faz com que nos dediquemos de tal forma, que a nossa vida resume-se a isso. E depois é inevitável que se chegue também ao ponto de saturação. E se o nosso trabalho for maioritariamente criativo, isso é um problema. Um enorme problema.

Por isso, ao longo destes últimos 5 anos desde que me tornei freelancer, fui passando por diversas fases, ajustando aqui e acolá, trabalhando 12h, 14h, 16h por dia, às vezes porque era preciso, outras vezes porque me sentia tão inspirada que nem sentia sono ou fome. Outras vezes impunha-me horários “normais”, mas trabalhar em casa é tricky, e de uma forma ou de outra, o trabalho está sempre a dois passos. E passei ainda pela fase de trabalhar pela noite dentro e descansar de manhã, porque sempre foi o mais natural para mim.

IMG_0925 IMG_9858IMG_0929Mas nos últimos anos percebi também que fazendo o que nos apaixona e fazê-lo em demasia, pode também prejudicar outras partes da nossa vida, esta coisa de ser workaholic é giro de se dizer quando é por nós, mas pode ser tão problemático como quando é para os outros.

Por outro lado, a sociedade em geral parece só dar-nos o valor quando estamos a faturar imenso, quando não temos tempo para nada, e quando estamos presentes em todo o lado das redes sociais e afins. A sociedade evolui a uma velocidade tremenda e se nos deixarmos estar no nosso canto a trabalhar, quando damos por ela já existe uma nova tendência qualquer à qual deveríamos estar a dar atenção.

IMG_1051 IMG_1807 IMG_1851E quando é que isto pára? E quando é que temos tempo para apreciar tudo o resto? E quando é que o nº de horas que trabalhamos não é o importante, mas o quão produtivos fomos nas horas que trabalhámos? E quando é que dizer que temos tempo para ir ao ginásio, ir às compras, fazer o jantar calmamente, não trabalhar fora de horas… começa a ser importante e de valor?

É por isso que eu me identifico tanto com este slow movement e procuro adotá-lo no meu dia-a-dia. Além de que noto que com os anos a passar, há coisas que começam a ser de facto diferentes. Sempre que me sinto bastante produtiva, trabalho horas sem fim e tento concretizar tudo em que penso, rapidamente passo de uma sensação boa para uma sensação de cansaço que se arrasta durante a semana.

IMG_4769 IMG_4777É por isso que o equilíbrio é tão necessário. Parar para apreciar o que nos rodeia. Parar para estarmos com quem é importante para nós. Parar para não fazermos nada e dar espaço e tempo ao nosso cérebro e corpo em geral para descansar. Parar para escutar o que o nosso corpo nos diz. É que parece óbvio que viver a correr não nos vai trazer nada de bom… e neste caso, chegar ao fim mais depressa é de longe o que todos queremos evitar.

Tudo isto parece ser fácil de ler e de pensar, mas é para lá de difícil de concretizar, mais uma vez por tantas pressões que sentimos vindas de tantos lados diferentes. Mas pareceu-me importante escrever sobre isto, escrever para que eu também possa integrar tudo isto e deixar de lado os sentimentos de culpa.

IMG_9717 IMG_9737Escrever para partilhar que aquela máxima de que “o que os outros fazem não é o importante, mas sim o que eu estou a fazer!” é para ser levada a sério. Somos todos diferentes, e neste mundo actual em que nos é possível espreitar tudo o que os outros fazem, pode ser overwhelming, principalmente porque tiramos tantas e tantas vezes conclusões precipitadas sobre o que os outros fazem, têm e alcançam.

E por fim, deixo esta frase encontrada no Swiss Miss e que parece ser tão apropriada:

“Part of the problem seems to be that nobody these days is content to merely put their dent in the universe. No, they have to f***ing own the universe. It’s not enough to be in the market, they have to dominate it. It’s not enough to serve customers, they have to capture them.” por David Heinemeier Hansson.

IMG_9763(e uma das coisas giras que podem fazer é arranjar tempo para passear pela vossa cidade e ver as cores que vos rodeiam… impressionante como Lisboa esta repleta de cores absolutamente deliciosas!)

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Casamento Galeria Carpe Diem :: Annabelle + Yves-Noël

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Lembro-me perfeitamente de receber o email da Annabelle a contar-me os planos que tinha para o seu casamento. Filha de pais portugueses, emigrou com eles para França muito cedo e foi lá que conheceu o Yves-No. Apaixonaram-se e quando decidiram casar, Portugal foi o destino e quis também o destino que fossem levados até à Galeria Carpe Diem em pleno coração de Lisboa para se apaixonarem pelas suas paredes de tinta descascada, e tectos cheios de charme ainda. Nas traseiras desta galeria, um jardim pouco tratado, mas com uma árvore secular no meio, perfeita para receber a festa que queriam.

Foi sem dúvida um dos casamentos mais bonitos e diferentes que fotografei. Não há detalhe que eu não tenha adorado! Desde os preparativos da Annabelle no The Independente, com a vista fabulosa do Miradouro de S. Pedro de Alcântara, ao facto de ter ido de táxi para o Carpe Diem com um taxista que só nos contava coisas bonitas sobre o casamento, o facto da cerimónia ter decorrido no fundo de uma escadaria belíssima, por onde a Annabelle caminhou com o pai, as flores absolutamente maravilhosas e a decoração preparada pela Marta da Flow… tudo estava deslumbrante.

Ambos quiseram fazer tudo com calma e procuraram fazer exactamente como tinham em mente, sem serem influenciados por ninguém. Todo este esforço resultou numa cerimónia e festa intimista de cerca de 80 pessoas, à volta de uma só mesa, à luz das velas e luz bonita, num jantar delicioso confeccionado por um dos Chefs da Tasca da Esquina, que ambos adoram.

O dia contou ainda com um passeio surpresa de tuk-tuk pelas ruas de Lisboa, surpresa esta que os convidados apreciaram com imenso entusiasmo e ainda para mais, estava um belíssimo dia de primavera, quase ali a roçar ao verão!

Foi assim que tudo aconteceu naquele sábado de maio no coração de Lisboa, que é tão perfeita para receber um amor tão bonito!

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Maternity :: Filipa + João

IMG_3132Nesta coisa de decidir fazer uma sessão fotográfica, a verdade é que são quase sempre as meninas a tomar a iniciativa. Mas de vez em quando é giro ver quando são eles a surpreender, a tomar a iniciativa, a perceber que há momentos que merecem ficar registados e que a menina dos seus olhos vai gostar de ter uma sessão fotográfica para celebrar um momento especial. Pelo menos a experiência por aqui tem sido essa!

E aqui foi precisamente assim. O João quis surpreender a Filipa e tratou de tudo! À espera de um bebé, pareceu-lhe o momento ideal para fazer uma nova sessão fotográfica, dado que a última tinha sido no casamento. E assim foi, juntos passeámos por Monsanto e gozámos de uma belíssima tarde de verão.

Adorei as cores que a Filipa escolheu para a sessão, a naturalidade e a cumplicidade de ambos… e a felicidade que era palpável! É tão giro fotografar casais que estão à espera de bebé, a ansiedade misturada com a felicidade, o saber que nada vai ser igual, e pelo que dizem, vai ser tão melhor, a expectativa do dia do nascimento, de conhecer aquela pessoa pequenina que vem para abalar o mundo que conhecem e enchê-los de um amor incomparável. Sessões bonitas de momentos felizes são assim!

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Sweet & Quick :: the cutest girl on the block

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Ainda esta semana falava em fotografar famílias e no bom que é quando essas famílias se deixam ir durante a sessão, quando brincam com as crianças, quando estas correm, soltam gargalhadas e exploram o local que escolhemos para a sessão! E foi exactamente isso que aconteceu durante esta mini-sessão com esta família simpática que aguardava mais uma menina que estaria para nascer!

A Guadalupe brincou que se fartou, correu, saltou, brincou com a água, apanhou flores, brincou no jardim infantil e ainda nos escorregas com os pais! E foi uma sessão bonita para mais tarde recordar, principalmente porque estes foram os últimos momentos desta família a três. E será sempre giro para a Luísa um dia mais tarde ver estas fotografias mesmo antes de nascer!

Vamos brincar um bocadinho com a Guadalupe?

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Família em Ponto Pequeno :: kids will be kids

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Fotografar miúdos é sempre uma aventura. Uns são mais tímidos e não é assim à primeira que nos aceitam, ou que sorriem, ou que se deixam estar como se nós não estivéssemos lá. Por outro lado, durante o tempo da sessão, é também muito giro ver como a relação muda. O que pode começar com uma desconfiança e birra por não se querer estar ali, pode acabar numa relação de amizade, num adorar ter feito a sessão, e pedir no dia seguinte por mais.

Neste dia não aconteceu nada disto, porque a boa-disposição estava lá desde o primeiro minuto. Uma sessão a 5, com cão incluído, com baloiços e um trampolim, só podia resultar numa tarde inteira de gargalhadas, corridas e sorrisos rasgados. E ainda muita, mas muita personalidade!

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Quando fotografo as famílias, existem sempre alguns pais que estão mais nervosos que os filhos e na vontade em que tudo corra bem, ambicionam a perfeição e não descontraem. Querem que a camisa não desfralde. O olhar sempre para a máquina de sorriso aberto, mas composto. O falar calmamente e sem gritar. O estar sempre bem-disposto. O retrato de família com todos sorridentes e de olhar bonito na mesma direcção, e por favor sem caretas.

Mas na verdade, eu quero que eles sejam o que eles são sempre. Se quiserem correr, que corram, se lhes apetecer fazer má cara, que façam, se quiserem fazer caretas, que façam, se quiserem sujar-se, correr, saltar… que assim seja. Quero retratar o que eles são – crianças à aventura.

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E as roupas lavam-se. Os joelhos esfolados saram. Mas as memórias ficam. Não de uma sessão perfeitinha, porque não foi para isso que viemos para a rua. Mas sim, as memórias das crianças a serem crianças, a fazerem aquilo que tanto os caracteriza e que os pais irão certamente esquecer daí a pouco, que num instante desaparece, em virtude de um crescimento desenfreado.

Nesta tarde tudo o que aconteceu foi brincadeira, foram gargalhadas, foram pais a deixarem as crianças a fazerem o que queriam, como queriam, pais que brincaram, fizeram cócegas, sentaram-se na relva e rebolaram com eles. E assim é bom recordar. Um dia vai ser bom olhar para estas fotografias e sentir a saudade a bater. A saudade dos filhos assim e um dia mais tarde a saudade dos pais assim.

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